segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Opinião


A propósito desta canção/inquietação de Alanis Morissete

Evidentemente que, sem com esta minha observação pretender desmerecer a denúncia associada às imagens é pertinente perceber que estas embora legitimas, são as inquietações de quem sente que a acumulação da riqueza, que lhe é permitida, é exagerada e até ofensiva para quem, por "sorte/acaso", lhe tocou viver num inóspito, ou subalternizado país por esta Ordem Mundial.
Tenho, por isso, que fazer um tremendo exercício de auto reflexão e fé, que torne abstracto o abraço de conforto do meu, já desgastado sofá, do ar de qualidade QB que respiro e das (longínquas) realidades como estas que me chegam na forma mais higiénica das notícias, através do comércio das imagens que a despudorada TV coloca em minha casa apenas como tal. Sem apelo mobilizador. Sem indignação, por rótulo, que balance o meu solidário e humano dever de ajudar a fazer justiça. Pelo contrário, estas imagens, tão só como informação, têm um efeito perverso sobre a minha humana compaixão. Sim. Não é nenhuma alarvidade o que afirmo.
Pensemos um pouco no efeito psicológico que estas terríveis imagens dos deserdados de Deus e da Sorte têm sobre os "humildes fruidores de migalhas", que somos a maioria de nós, da riqueza que produzimos.
Em consciência, laudos de Graças se desprendem da Alma, da nossa, rumo ao céu, onde o Criador Sentado, crêem alguns, deixou cair uma delas, para este lado do Mundo que nos protege,"por enquanto", dos apocalipses e das trevas depois do Sol. A morte é cada vez mais uma ideia "ausente" da maioria dos quotidianos. E a revolução, ou mais exactamente para não chocar democratas convictos, as profundas reformas na social justiça, quando exigidas ou simplesmente mencionadas, são blasfémias em mentes desadaptadas, com o pérfido desejo de vomitar no prato das lentilhas, num desafio irresponsável á Sorte.
Assim que: à parte das expectativas sobre a reforma do Código do Trabalho e das ânsias, durante o processo negocial da tabela salarial, sempre com direito à contestação em frente de uma cerveja e, com a possibilidade, enorme, de mudar a conversa para o futebol, se os pontos de vista estiverem em rota de colisão; Tudo vai bem. Porque a ideia de mudança está inscrita no devir e o Tempo é inexorável na sua marcha. E assim acreditamos que é. Desde Heraclito, passando por Camões, para chegarmos aos lentos, muitos lentos, reformistas sociais de agora. Mas a malta aguenta. Que remédio. As mentes, as brilhantes, nada conhecem melhor  que esta democracia. A representativa. Esperemos pois que a vontade de mudança nos mobilize para pensar, outra modo de democracia e, a sua concretização.
É portanto como cidadão, envolvido na expectativa da política e dos seus efeitos imediatos na minha, na nossa vida, que recebo estas imagens. E, é no relativo conforto do lar que eu, que a maioria dos ocidentais cidadãos as digere, enfraquecidos no seu universal humanismo e desmobilizados para a justiça da redistribuição da riqueza no Planeta Terra.
E,esta é a postura que me inquieta porque sinto que,  cada vez mais, me estão a transformar para além do que eu pensava admissível. Mesmo quando por um exercício de relativismo tento aceitar os contraditórios sentimentos que me atravessam e reflectem o meu ser e o meu estar de Europeu e Ocidental alienando-me cada vez mais.
E ter disso consciência penaliza-me.

Beijos e abraços

f.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sobressaltos ...

Num Segundo o sol cai a pino
Os Horizontes cerram-se
Os rostos contraem-se
As mãos tocam-se
Os peitos estilhaçam-se
A palavra falta
O silêncio é de estranhos
E, o afecto resvala para parte incerta

Os sonhos continuam sem abrigo,
pendurados no olhar
de nariz esborrachado
contra a transparência vazia
                                           grávidos de realidades,outras


                                           Ilusões,
                                           Atazanando a Alma,
                                           Salpicada de suplícios
                                           Num tempo eterno que lhe concederam
                                  
                                           f.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sobre o sonho, ou os sonhos



Olá, Sonho!!!... Academicamente e de um modo muito rudimentar já que, não pretendo reproduzir nenhum conceito freudiano ou de outra qualquer corrente da psicanálise, no meu entendimento, o sonho, é uma manifestação, penso que apenas humana que, se processa ao nível do subconsciente, ou numa outra área que poderemos chamar de "limbo do consciente".
Os sonhos reflectem, dizem os entendidos, frustrações, desejos recalcados, fantasias inalcançáveis, ilusões que podem "enquanto pseudovividas" servir para o alivio de tensões internas ou até mesmo como uma forma primária de esperança, a maior parte das vezes apenas alicerçada numa fé de que "um dia seremos compensados" por algumas das condições existenciais, menos favoráveis que, nos tocaram em "sorte/acaso"

E o sonho revelou-se á Natureza Humana a via mais fácil e necessária ao seu equilíbrio emocional.

Este é aquele sonho que todos nós pressupomos acontecer na cama. É uma manifestação transversal a toda a sociedade.Seria interessante saber, se possível, qual a classe social que mais sonha e quais os objectos dos seus sonhos. Eu não penso fazê-lo. Não está nos meus horizontes e, não consideraria como um sonho a sua realização.·
A outra classe de sonhos é aquela que resulta de um estado interior que faz do inconformismo a existência de alguém. Existir é nestas circunstâncias, muitas vezes sonhar.

Nesta febre de alcançar um objectivo, o seu objectivo, o sonhador, subalterniza, muitas das categorias essenciais da realidade: talento, classe social, género, formação, finanças que, dependendo do sonho, todas ou algumas delas, em conjunto, são condição para que o sonho se transforme em realidade ou, pelo contrário, pela ausência de condições objectivas, o sonho, emerga com a natureza de devaneio e, assim fica existindo, no limbo das possibilidades ( se,)... ou seja condicionais.

Se assim for, o sonho é reservado para um tempo e um espaço que o sonhador, sentirá adiado, até que por exaustão o deixe aninhar-se no sítio das ideias/sonhos por concretizar.·

Tenho para mim que, a maior parte destas realizações muitas vezes apelidadas de sonhos, são apenas objectivos que hoje se vulgarizaram socialmente: como o curso superior que, de facto já foi, em tempos e para alguns um verdadeiro sonho de vida alcançado. Mas estes são os sonhos dos pais. Da família. Que faz esforços e descansa as ansiedades quando tudo o que queremos é perceptível no imediato. Porque, quase sempre foi assim.

E é nesta esfera do "desejo" necessariamente realizável, elevado á categoria de sonho, pelo qual pautamos em conjunturas sociais e de vida difíceis, os nossos relativos horizontes, louváveis sem dúvida e, razões de felicidade quando alcançados.

Mas questiono-me se pertencem à categoria dos sonhos.

Sem ser arrogante e dando o devido valor à relatividade e á sua importância para a valoração do conceito de sonho, penso que estas realizações que muitos nós, encaramos como tal, se ficam pela esfera dos desejos mais ou menos realizáveis.

f.


domingo, 6 de dezembro de 2009

Festinha



Faz-me uma "festinha" no rosto
Como prelúdio de um abraço
Como chão para um beijo
Com ternura por dentro do olhar


Depois(...)eu concebo um imaginado momento


Festinha= toque afectuoso para um momento de empatia       



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um dia na vida de uma mulher



Despertou de um sono longo. A realidade chegava-lhe ordenada pelos sentidos. Ainda de olhos fechados o olfacto não transportou até si nenhum perfume que atestasse outra humana presença. A epiderme reclama-lhe o toque com intensidade de carícia, o beijo matinal no ombro direito, a junção do corpo dele com o seu, seguido de um abraço que inexoravelmente a introduziam no Mundo. Eram assim inevitavelmente os despertares aos sábados de manhã depois de ter conhecido o Bernardo, seu namorado, havia pelo menos um ano. Dois "specimens" lindos, com glamour, que desafiavam pelos bares e gafieiras do costume, os incontinentes caçadores de sexo das soirés lisboetas. Aos olhares explícitos daquela tribo de oníricos nunca tinham sido capazes de conter as sensuais coreografias que exprimiam na batida repetitiva dos sons da House Music, ou no “caliente” abraço que o bolero exigia, enquanto arrastavam os corpos colados pela pista ao encontro da nota musical que coroasse o extâse que adivinhavam invadi-los, e que se cumpriria com a cumplicidade mágica de uma atmosfera sombria que lhes outorgava a natureza de silhuetas. 

Recusava acordar. Sabia que esta negação para a vida se manifestava sempre assim depois de um “desencontro de afectos”. Mas desta vez sentia-se “incompleta” e por isso não queria desvelar-se para um dia que lhe faria sentir o peso da solidão. Estava “amputada” do afecto com mais empatia que tinha vivido estes últimos tempos. E, obviamente, sentia que não eram só as noites de enlevo e orgasmos que, em tão pouco tempo, já eram saudades, mas era tudo o que demais compunha a vivência com este companheiro. Muitas vezes os “olhares” para a realidade sobrepunham-se de tal maneira, e sabia não serem estes momentos de perfeita sintonia, uma refinada gentileza dele, que concedia ao espírito, apesar da sua sólida formação materialista, a veleidade de supor uma qualquer teoria acerca das almas gémeas.
Nesse revelado momento fazia sempre por esquecer a sua lógica de pensamento para não beliscar a harmonia e a felicidade experimentada. Mais tarde, para “explicar” aqueles momentos de existencial perfeição, sem trair a sua formação, enquadrava-os nos fenómenos empáticos que os afectos potenciam. Também a estética não os dividia apesar da diferente e natural, dizem, sensibilidade dos géneros. Discutiam livros e cinema sem exaltar-se e em total liberdade de opinião.

Estava triste porque este tempo de feliz mundividência estava prestes a desmoronar-se por um ataque de imatura “ciúme” que uma tendência possessiva inflamou ainda mais. Sentiu a liberdade, a sua, “encolher” quando ele “soltou” um discurso sobre o compromisso que pretendia, percebeu ali mesmo, organizar as suas emoções. Para ela as relações eram, sempre tinham sido, “edifícios” estratificados por experiências afectivas e emocionais, no qual o ajustamento das mesmas determinava o cimento da sua estrutura e a sua permanência. Percebia o incómodo, o dele, porque o piropo de um bem-apessoado transeunte da gafieira tinha estimulado nela uma resposta no mesmo tom, seguida de um curto “briefing” de insinuações, entrecortadas com ritualizadas coreografias de côrte. O irreverente “beicinho” do Bernardo foi por si apercebido sem nenhum sentimento mesquinho de superioridade. Sentiu um enorme carinho pelo seu indiscreto momento de insegurança. Gostava da pessoa de Bernardo. E gostava do homem que ele incorporava. Mas deu consigo numa das mesas da gafieira a “engolir”, por respeito, aquele inoportuno e redutor discurso acerca das formalidades que ele entende deverem fazer parte das suas relações afectivas, e que acabavam de ser desvalorizadas pelo comportamento dela.

Ficou triste pelo que entendia ser um precedente ao qual não poderia ceder. Antevia que se concedesse, a Bernardo, aquela perspectiva estaria a submeter-se a um código moralizador do seu comportamento afectivo que não subscrevia e a mutilar a sua “livre” natureza para viver emoções que, a seu ver, não punham em causa os alicerces da sua relação com ele. Sabia, sobretudo, que o valor e a permanência da sua relação com Bernardo resultavam do somatório e da intensidade das experiências que viveram e que aquele, no seu entender, insignificante episódio não poderia corromper esta concepção; para si um credo, "de que as relações afectivas permanecem porque o seu edifício é estruturado pela sedimentação de diferentes experiências com capacidade para se ajustarem entre si”.
 Daí entender que aquele julgamento a que Bernardo a tinha submetido se revelava como uma experiência desajustada de todas as anteriores. Pressentida a amargura que esta rotura causaria aos dois, o afecto que lhe tinha, enorme, desaconselhava-a a que num impulso radical ditasse o fim daquela relação, ali e naquele momento, porque a amargura não lhes daria sossego e a tristeza encontraria motivos para se instalar por algum tempo. Duvidou sobre qual a opção mas correcta a tomar.
Queria compreender se aquele discurso aparecia como recurso à justificação de um despeitado momento ou se revelava parte de uma mentalidade por si desconhecida. Entendeu voltar sozinha para casa e por antecipação começou a viver, ali mesmo, a experiência de solidão que, no seu apartamento e na sua cama, se tornariam mais intensos naquela noite de sexta-feira.

No dia seguinte, na manhã de sábado, encontrava-se na cama pressionada pela decisão de ter de ressuscitar ou aniquilar uma relação que ontem tinha suspendido. Agitada enquanto “vivia” por remake o sucedido, sentiu-se desconfortável na cama. Uma atrevida ponta de ar invadiu-lhe a atmosfera quente dos lençóis e causou-lhe um “frissom” no corpo, agravando ainda mais o desconforto do seu melancólico e triste despertar. Abriu por fim os olhos e a claridade que a manhã, já alta, tinha lançado para dentro do seu quarto feriu-lhe o estado de sonolência. Algum calor, impróprio do Inverno, fazia-lhe adivinhar a vida lá fora, manifestando-se em desportistas de fim-de-semana mobilizados no combate à adiposidade construída em empregos sedentários que lhe penalizam o corpo e a estética, numa sociedade que paradoxalmente tem nas diferenças humanas um valor democrático, mas que obtusamente insiste por influência de uma fanática filosofia da “normatização” veiculada por alguns midia, em construir modelos para a standarização de tudo e de todos nós.
Reconheceu neste pensamento uma visão de crítica militante de todo o pensamento ou filosofia que se aflorasse redutora das escolhas individuais de vida que não atentassem contra a estabilidade da ordem democrática.
Mas era do mais elementar bom senso reconhecer também o esforço meritório daqueles desportistas de fim-de-semana, por influência, ou não, do discurso mediático. Sobretudo porque era evidente que a actividade física é boa para a saúde.

Percebeu entretanto que já nem mesmo o conforto da cama a compensava. Ficar ali significava não contrariar a pulsão masoquista destes momentos e enredar-se no sucedido. Energicamente levantou-se como se a vida a puxasse para dentro de si e dirigiu-se ao chuveiro. Sentiu que a temperatura quente da água se revelava como a primeira compensação daquele dia. Apostou em si e produziu-se sem saber que um convite percorria à velocidade da luz os fios do telefone para se anunciar num DRING. Atendeu. Do outro lado um colega e amigo revelava enfaticamente a mensagem relembrando-lhe que hoje se celebrava o jantar da sua agência de publicidade. Sociabilizar-se era tudo o que menos queria naquele momento. Olhou-se ao espelho e gostou de si. E associou ao seu embelezamento uma premonição qualquer que sentia positiva. Respondeu entusiasmada que sim. Que estaria presente. Passou novamente pelo espelho para que a imagem, de si, ali reflectida abrisse brechas na sua tristeza e lhe colasse no espírito confiança e alegria. Muita alegria.

Evitou o elevador para sair do prédio. Quando chegou à rua já a Lua com o seu exército de estrelas tinham encetado uma perseguição ao Sol para instalarem a noite no céu. Por impulso olhou para o firmamento na procura de uma estrela que sentisse sua e que brilhasse, em si, toda esta noite. A empatia não se estabeleceu. Na dúvida segurou bem dentro do peito a positividade do momento. Quando saiu do carro, já no destino, constatou que o néon tinha ocupado toda a cidade.

Mostrou-se à chegada e durante o convívio receptiva aos "piropos". Mas soube também perceber os excessos. Tinha a certeza que nem tudo, naquelas exuberantes demonstrações de afecto, era inteiramente verdade. Mas não deixou de estar à altura das insinuações. Era natural nela a adesão aos jogos de palavras eivadas de subliminares propósitos. Mas entendia-os como um modo que os seres inteligentes encontraram para tornear, sem inconveniência, alguns formalismos culturalmente ainda “vivos” e actuantes em muitas mentalidades. Como a do Bernardo agora revelada. Por isso ele não entendia como é que estes jogos podiam ser apenas prazeres intelectuais, carícias egocêntricas e por aí ficavam sem, imediatas, consequências. Bernardo defendia que as insinuações disfarçam, em menor ou maior grau, objectivas intenções. Mas concretizáveis, defendia eu, apenas e só pela vontade consonante dos intervenientes. E, para ela, os afectos onde estes prazeres insinuados se realizam eram, muito concretos e sempre experienciados.

Na despedida alguns beijos não encontraram o local desejado e alongaram, para uma sublimação, a sua permanência no "destino" possível que lhes reservou no rosto.
Alguns olhares insinuavam um desejo aceso nas entranhas que teriam que adiar. Porque nessa noite, a excitada predisposição libidinosa não iria cumprir-se em sexo. Pelo menos consigo como partenaire. Ninguém ali tinha acordado os seus duendes para brincar aos "amantes”. O momento tinha tornado tudo demasiado óbvio para todos. A indecisão parecia ter tomado conta das vontades e suspendido o tempo. As insistências para que ficasse foram infrutíferas. Com um cordial e aberto sorriso finalizou a despedida deixando alguns apontamentos em aberto para mais tarde confirmar. Em seguida desprendeu-se suavemente da sua voz um cumprimento de boa noite que se elevou-se no ar para apaziguar o cosmos e, todos e cada um por si, pensaram num destino para aquela noite. O ronco dos automóveis "estilhaçou" o silêncio e a claridade à solta dos faróis perfurou a noite para desvendar o segredo dos caminhos. Ela empreendeu o rumo de casa como o desejado destino.

No regresso o tempo da viagem pareceu-lhe suspenso e sem atritos de qualquer ordem. A silhueta do seu "refúgio", como que por magia, saída das trevas, projectou-se num horizonte próximo. Bocejou dentro do carro. Minutos depois dava o primeiro passo dentro do seu apartamento. Voltou-se, fechou a porta, e “apalpou” o espaço com um olhar de reconhecimento. Sentiu um carinho imenso e rememorou, num ápice, a história de todos os adereços que eram parte de si. Da sua vida ainda curta de mulher adulta e emancipada. Detectou neles muita da sua identidade. Afinal não estava sozinha. Projectou os braços apertando-os contra o tronco num “abraço” possível a si mesma e sentiu que tinha construído um instante de felicidade. Estendeu-se no canapé da sala fechou os olhos e deixou-se ir com o turbilhão de pensamentos que reclamavam uma ordem, a sua, e pressentiu que não mudaria. Embalou-se nesse jogo com as ideias enquanto o sono cada vez mais presente lhe "roubava" a consciência. Não quis resistir. Preferiu esperar que o Sol a chamasse no outro dia. Boa noite. Murmurou para si. E não registou mais nada na memória.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A propósito da missa Miserere Dei de Gregorio Allegri


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(...) eis uma representação que reconheço de exaltação de  uma enorme virtude que é a humildade. Tal a devoção que lhe está associada nesta missa. 
Reconheço ainda a sua enorme beleza cuja inspiração só a ideia de comunhão com o transcendente seria capaz de a inspirar. Contudo não posso deixar de viver e de me interrogar sobre o que considero um paradoxo e que me inquieta, porque sendo eu um irredutível militante dos homens e das mulheres a quem imputo toda a beleza e toda a miséria e a sua consequente transformação na História, não entendo o porquê de não sermos nós (os humanos) os inspiradores e os objectos de tanta e tão harmoniosa beleza ...