domingo, 15 de agosto de 2010

Às voltas na cama; "monólogos" de olhos fechados I

Il pensiero
Mes chers amis... findo o repasto deste “rotineiro” encontro, sobreveio como sempre, alguma conversa para deitar fora, empurrada pela quantidade de comida deglutida a meias com  ar onde o prazer se expressava em onomatopeias incompletas porque a avidez era grande e não concedia pausas à palavra.

Respondi como podia ao intertêm durante alguns minutos, concentrando-me no momento em que cairia bem, sem ninguém dar por isso, a mentirinha como pretexto para abandonar, apenas por uns minutos, sem precisar quantos, a balbúrdia de conversas que se chocavam no espaço de 2 metros quadrados, em perguntas e respostas e sims e nãos, quando era evidente que aquela reunião não se podia estender, para a maior parte de nós, para além da mesa - a suprema justificação para a permanência juntos.

Fuji dali. E com o tédio por companhia, abri a máquina e sem objectivo a que me dirigir, fui abrindo e fechando ficheiros, no acto mecânico para prender a atenção. Foi assim que neste matar de tempo encontrei algumas fotos que "fixaram" Paris em Dez de 2008 e que atestam o meu último "filrt" com esta cidade com que namoro sempre que posso. A soçobrar nesta apatia por dentro de um tempo morto, ressuscitei à vista destas digitalizadas "memórias de Paris": As fotos de Dez de 2008.

Incorporei-me. Pressenti que a atenção "acordava" concomitante à interacção que se establecia com a máquina. Olhei com mais atenção as fotos e pressenti a força da memória, das memórias, que me arrastavam para a dimensão passada do tempo, contra o qual o inexoravél presente nada pode.

Neste esquizofrénico momento, sem nostalgia, embebi-me deste passado recente e fiz um apoteótico remake daquele namoro com Paris. No “dispaly” da máquina os pixeis continuavam ordeiramente unidos, tal qual a ciência óptica os tinha fixado a mando do meu olhar, das minha impressões, quando nos encontramos nesse Dez de 2008 .

Puxei pela memória para que todos os detalhes fossem (re)vividos -os elementos, as cores, a temperatura, a nossa envolvência- e cumpriu-se esse adágio popular para quem; recordar é viver.

Dei-me conta com esta "revisitação" que não tinha "colocado", este passado, tal como já fizera a outros, na rota da "eternidade". Terei, certamente, contado sobre ele. Das alegrias que tive, terei levado parte a outros. Mas não o partilhei. Não o embebi desta Natureza, que é a da partilha, e que vem com o acto de contar experiências passando emoções vividas. Apenas as tinhas comunicado. Senti que estas memórias reclamavam o seu estado de perenidade que se faria pela sua nidificação nas lembranças de outros. As dos mais queridos.

f.




domingo, 8 de agosto de 2010

As Mulheres

As Mulheres

(...) em tempos os homens abriram a caixa de Pandora, libertaram o contraceptivo oral, e despromoveram o preservativo. Com os eventos da ciência e da tecnologia, o Mercado cresceu e exigiu mais braços. E as mulheres desafiaram as mentalidades (masculinas), que não resistiram à ideia de que a vida, a das suas familias, poderia melhorar com o seu trabalho, pensavam, apesar dos riscos.

Depois ... a Natureza feminina revelou-se uma insuspeita aliada na senda da sua emancipação. É uma outra Natureza. Humana. Por vezes, muito humana até. Sem dúvida. Generosa, forte, com enorme capacidade de sofrimento. Paciente. Inpregnada de lições de vida. Astuta. E sobretudo credora dos nossos maiores afectos. Indubitavelmente, as mulheres são, alguma vez, o objecto maior das paixões masculinas.

Agora, rendidos a estas evidências que, com os Tempos, perderam o pudor de se afirmarem, (elas) esteriotipam-nos a partir de modelos de performance sexual. Aí estamos nós à sua mercê, no afâ de corresponder, aos seus elaborados apetites e aos ditames de uma Natureza de quem somos aditos, não só mas também, pelo sexo, à espera que a barriga não nos cresça, a calvice não seja precoce e o Viagra não nos falte e não nos falhe, na hora em que o estimulo do desejo necessita de ser "puxado" do sítio onde nasce para o lugar da sua sexual representação que, em todo o seu explendor, pleno de generosidade “morrerá” por ali, numa incondicional entrega ao prazer (…) recíproco.

Beijos e abraços

f.

Nota: (às vezes dá-me para rabiscar e partilhar), portanto este texto é apenas um comentário que espero que as minhas amigas não o tomem como uma prespectiva "máscula" e reprovadora dos ventos sociais e politicos que estimularam as mulheres na luta pela sua emancipação e que hoje se revelam seres de uma Natureza, proventura mais conflituosa mas mais enriquecedora, e a quem admiramos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A assimetria da dor

...é revoltante a assimetria geográfica da dor neste Mundo; Deus esqueceu-se seguramente do Oriente, lá onde a sua incontestável "ordem" não está em perigo.
A sua preocupação é desde à muito, o Ocidente que pelas ideias transformou também à muito a sua ordem numa nova ordem, onde ele é cada vez mais invisível e mais convictamente substituível por uma outra ideia de justiça e sobretudo por um hedonismo da descrença

f.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

José Saramago , um lúcido transgressor

Em memória de um lúcido transgressor que gostava que com ele pensássemos. Era assim, de cada vez que o lia, que entendia Saramago.
(...) Saramago era de facto um ético intransigente contra tudo e contra todos os que fomentavam a pobreza e a injustiça, mas era sobretudo um transgressor de sublime imaginação e de corrosiva ironia contra as pérfidas convenções e as falsas doutrinas que, amarraram a Civilização à Igreja e os Estados ao Liberalismo selvagem que tantas injustiças e crimes cometeram e cometam contra as pessoas (...) e pela sua denúncia e pela sua intervenção nunca lhe perdoarão.

Mas ter-nos-á sempre a nós. Os que continuamos a gostar dele.

                                           f.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Opinião


A propósito desta canção/inquietação de Alanis Morissete

Evidentemente que, sem com esta minha observação pretender desmerecer a denúncia associada às imagens é pertinente perceber que estas embora legitimas, são as inquietações de quem sente que a acumulação da riqueza, que lhe é permitida, é exagerada e até ofensiva para quem, por "sorte/acaso", lhe tocou viver num inóspito, ou subalternizado país por esta Ordem Mundial.
Tenho, por isso, que fazer um tremendo exercício de auto reflexão e fé, que torne abstracto o abraço de conforto do meu, já desgastado sofá, do ar de qualidade QB que respiro e das (longínquas) realidades como estas que me chegam na forma mais higiénica das notícias, através do comércio das imagens que a despudorada TV coloca em minha casa apenas como tal. Sem apelo mobilizador. Sem indignação, por rótulo, que balance o meu solidário e humano dever de ajudar a fazer justiça. Pelo contrário, estas imagens, tão só como informação, têm um efeito perverso sobre a minha humana compaixão. Sim. Não é nenhuma alarvidade o que afirmo.
Pensemos um pouco no efeito psicológico que estas terríveis imagens dos deserdados de Deus e da Sorte têm sobre os "humildes fruidores de migalhas", que somos a maioria de nós, da riqueza que produzimos.
Em consciência, laudos de Graças se desprendem da Alma, da nossa, rumo ao céu, onde o Criador Sentado, crêem alguns, deixou cair uma delas, para este lado do Mundo que nos protege,"por enquanto", dos apocalipses e das trevas depois do Sol. A morte é cada vez mais uma ideia "ausente" da maioria dos quotidianos. E a revolução, ou mais exactamente para não chocar democratas convictos, as profundas reformas na social justiça, quando exigidas ou simplesmente mencionadas, são blasfémias em mentes desadaptadas, com o pérfido desejo de vomitar no prato das lentilhas, num desafio irresponsável á Sorte.
Assim que: à parte das expectativas sobre a reforma do Código do Trabalho e das ânsias, durante o processo negocial da tabela salarial, sempre com direito à contestação em frente de uma cerveja e, com a possibilidade, enorme, de mudar a conversa para o futebol, se os pontos de vista estiverem em rota de colisão; Tudo vai bem. Porque a ideia de mudança está inscrita no devir e o Tempo é inexorável na sua marcha. E assim acreditamos que é. Desde Heraclito, passando por Camões, para chegarmos aos lentos, muitos lentos, reformistas sociais de agora. Mas a malta aguenta. Que remédio. As mentes, as brilhantes, nada conhecem melhor  que esta democracia. A representativa. Esperemos pois que a vontade de mudança nos mobilize para pensar, outra modo de democracia e, a sua concretização.
É portanto como cidadão, envolvido na expectativa da política e dos seus efeitos imediatos na minha, na nossa vida, que recebo estas imagens. E, é no relativo conforto do lar que eu, que a maioria dos ocidentais cidadãos as digere, enfraquecidos no seu universal humanismo e desmobilizados para a justiça da redistribuição da riqueza no Planeta Terra.
E,esta é a postura que me inquieta porque sinto que,  cada vez mais, me estão a transformar para além do que eu pensava admissível. Mesmo quando por um exercício de relativismo tento aceitar os contraditórios sentimentos que me atravessam e reflectem o meu ser e o meu estar de Europeu e Ocidental alienando-me cada vez mais.
E ter disso consciência penaliza-me.

Beijos e abraços

f.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sobressaltos ...

Num Segundo o sol cai a pino
Os Horizontes cerram-se
Os rostos contraem-se
As mãos tocam-se
Os peitos estilhaçam-se
A palavra falta
O silêncio é de estranhos
E, o afecto resvala para parte incerta

Os sonhos continuam sem abrigo,
pendurados no olhar
de nariz esborrachado
contra a transparência vazia
                                           grávidos de realidades,outras


                                           Ilusões,
                                           Atazanando a Alma,
                                           Salpicada de suplícios
                                           Num tempo eterno que lhe concederam
                                  
                                           f.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010